”Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera”. A maior ambição humana está relacionada a eternidade. Muitos pensam que cada segundo da nossa vida deveria se repetir um número infinito de vezes. Sendo assim a idéia da efemeridade é um fardo, que quanto mais pesado, mais próximo da terra está a vida e mais real e intensa ela é. Sem exceção a essa regra, destoa-se o amor.
”São as afeições, então, como as linhas, que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas , tanto menos unidas.” Priorizar o caráter individual tornou-se mais freqüente tendo em vista os novos parâmetros econômicos. Desse modo, a superficialidade no quesito sentimento tornou-se normal uma vez que se o viver "junto" não se concilia com as ambições pessoais, muitos preferem abrir mão da relação, a tentar uma possível adaptação. Assim acaba-se com o ideal de “primeiro amor” , único e eterno, na medida em que se racionaliza o sentimento saindo do mundo sensível para o mundo inteligível.
”Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho”. Quando se ama pela primeira vez, não existem barreiras, limites ou razão, existem duas pessoas e um só coração e amar é tão intenso que dói. Contudo,
o tempo trás consigo as responsabilidades, a rotina, a razão, as divergências, os impasses e tudo que antes os olhos fechados não viam, e assim o mais-que- perfeito está desfeito.
”A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos”. Descobre- se que amar não é o suficiente, a compreensão, o carinho, a paciência, o companheirismo, a maturidade o discernimento são mais importantes, pois pare para pensar, será que com 70 anos o sexo e as aventuras serão tão atrativos? Percebe-se então que essa explosão de sentimentos e ardores é apenas paixão
rápida que com o tempo acalma e o fundamental que há de prevalecer é a amizade.
”Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor”. Talvez seja justamente por ser tão passageiro que hoje , portanto, as pessoas tentam viver o máximo do sentimento de modo a torná-lo único o quanto dure porque esses altos e baixos, essa incerteza e instabilidade apenas dão um equilíbrio a vida. Será que se a revolução francesa se repetisse eternamente os historiadores teriam tanto orgulho dela? Uma linha reta significa que o coração parou de bater.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
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